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Big Data e Eleições: conheça os casos da Índia e Reino Unido

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Se você nos acompanha, já leu por aqui que a utilização de Big Data Analytics nas eleições vem crescendo.

A coleta e análise de dados e informações de diversas bases de dados é a dica mais valiosa que pode ser dada hoje para quem quer ser eleito.

Decididos ou não, de esquerda ou de direita, o fato é que quase todos os perfis de eleitores geram dados, deixam rastros nas mídias sociais e produzem informações que podem ser transformadas em insumos para criação de estratégias assertivas com boas ferramentas durante a briga eleitoral.

Talvez você não saiba, mas as últimas eleições presidenciais do Brasil já contaram com Big Data Analytics. A Hekima, por exemplo, atuou durante as eleições de 2014 fazendo análises preditivas das reações dos eleitores e até mesmo do curso dos pleitos.

Além do Brasil, as campanhas da Índia e Reino Unido sinalizam uma tendência cada vez maior em segmentar e esses eleitores, e buscaram aliar os meios online para saber onde e como atacar no offline. Entenda mais:

India: tendências que orientam mudanças

Este é um case realmente muito interessante! A utilização de Big Data Analytics tornou-se necessária a partir de duas grandes mudanças de cenário que orientaram as estratégias eleitorais dos políticos indianos:

  • A primeira surgiu com o fato de mais de 100 milhões de jovens se cadastrarem como eleitores em um curto período de tempo;
  • Já a segunda se deu por conta da rápida evolução tecnológica que toda a sociedade teve, que empoderou cidadãos, trouxe novas formas de fazer democracia e, consequentemente, impactou todas as esferas da gestão pública, da economia e da política.

Você consegue imaginar no impacto disso tudo?

Com tantas novidades disruptivas, o contexto eleitoral ficou ainda mais complexo na Índia. Em uma nova configuração altamente conectada e amplamente diversa, a tarefa de extrair dados demográficos da segunda maior população mundial parecia impossível. Para enfrentar esse desafio, o Bharatiya Janata Party (BJP), atual partido no comando do país, decidiu investir em Big Data Analytics nas eleições de 2014 e saiu na frente durante o pleito.

Na prática, o BJP analisou dados de quase todos os usuários de Internet do país a fim de entender melhor os sentimentos e tendências dos eleitores, assim como problemas locais e não gerais. Em posse desses dados, os partidos políticos puderam reformular suas propagandas, direcionar doações e melhorar visitas a domicílios, contatos via telefone e até mesmo mensagens enviadas por aplicativos e mídias sociais.

É importante lembrar ainda que, além de otimizar a comunicação e definir novas linhas discursivas, essa estratégia também permitiu que o partido mapeasse  os eleitores indecisos em Estados-chave, aumentasse o engajamento político-partidário e redirecionasse  suas estratégias de maneira cada vez mais específica e certeira.

Reino Unido: encontrando o eleitor indeciso

Determinados em fazer uma disputa de qualidade durante as eleições gerais em 2015, os partidos políticos britânicos se deram conta dos benefícios do uso de Big Data e investiram fortemente em profissionais e empresas especializadas em análises de grande volume de dados.

Graças aos insights gerados com base na análise de dados de diversas áreas, todas as propagandas eleitorais sofreram mudanças significativas em suas produções. A abordagem de transmissão da mensagem foi alterada, e os candidatos começaram a tentar conversas mais diretas com os eleitores, criando oportunidades de assuntos mais relevantes. Por exemplo, um determinado grupo de pessoas de uma região tem como ponto em comum a postagem de comentários relacionados à educação e qualidade das escolas. Com esses dados em mãos, os candidatos passam a ser capazes de criar diálogos com pautas mais interessantes e direcionadas.

Além disso, os partidos do Reino Unido também aproveitaram a oportunidade de fazer análises de Big Data com foco na identificação de eleitores indecisos. Por meio de uma combinação de comentários deixados nas redes sociais e outras fontes de dados, os partidos se tornaram capazes de criar estratégias de comunicação e marketing político para atingir especificamente o público indeciso, que poderia ser determinante no contexto.

Dessa maneira, os políticos se beneficiaram em descobrir sobre o que motiva e valoriza seus eleitores, e como estes se sentem sobre os diversos problemas que acontecem ao seu redor. A partir da análise desses dados, os partidos políticos britânicos puderam ter um insight sobre seus eleitores de forma mais complexa.

Eleições 2016 no Brasil: e agora?

A análise de dados está claramente saindo dos laboratórios de pesquisa e indo de encontro ao monitoramento e análise em tempo real de dados, o que exige retornos rápidos e diversos nos discursos. A grande sacada é entender e converter os dados em informação útil para que os partidos possam utilizar em reais objetivos estratégicos.

Estamos em ano eleitoral no Brasil e tudo indica que os partidos mais estratégicos sairão à frente e se destacarão na disputa fazendo uso de cases como os da Índia e do Reino Unido.

Você acredita que a disputa entre os candidatos de 2016 será diferente? Comente e deixe sua opinião!