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Big Data no combate ao terrorismo

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Enquanto o mundo inteiro se sente cada vez mais acuado e com medo de ataques terroristas — como o terrível episódio que ocorreu em Paris, em novembro de 2015 — equipes de T.I. se desdobram para usar Big Data contra o terrorismo e tornar as ações de governos e forças militares ainda mais eficientes.

Curioso para entender como o processamento inteligente de grandes volumes de dados pode ir além das estratégias de crescimento empresarial e ser um grande aliado para o aumento da segurança das pessoas?

Confira alguns exemplos de como o uso de Big Data vem se tornando uma arma poderosa na guerra contra o terror:

Acompanhamento da comunicação entre suspeitos

Apesar de ser um ponto polêmico, o monitoramento de conversas entre possíveis terroristas ou envolvidos em ataques é permitido em muitos países quando se identifica alguma atividade suspeita. Até pouco tempo atrás, o grande desafio era descobrir uma maneira de processar todos os dados gerados a partir das infinitas interações entre os suspeitos.

Com Big Data Analytics, analisar, armazenar, processar e decodificar milhares de dados online não só se tornou simples, como também é uma das principais linhas investigativas para a descoberta de grupos terroristas ou possíveis fontes de informação relevantes.

O Bulk Phone Metadata Collection Program da NSA (Agência Nacional de Segurança), por exemplo, é uma das ferramentas do governo dos EUA para investigação por meio de dados telefônicos.  Trazido a público por Edward Snowden, analista de sistemas da CIA que ficou famoso após divulgar a coleta e uso indiscriminado dos dados por parte do governo norte-americano, o programa consegue gravar conversas telefônicas de quase qualquer pessoa no mundo para investigações secretas do país.

Ainda que controverso por conta das possíveis violações de privacidade, o monitoramento possibilitado pelo uso de Big Data é amplamente defendido por Mike Rogers, diretor da NSA. Rogers afirma que sem esse tipo de dado o trabalho para o combate a ataques terroristas seria bem mais árduo e que a análise de tais informações é imprescindível para evitar ataques como o de 11 de setembro.

Descoberta de bases terroristas

Além do acompanhamento da comunicação via telefone, as redes sociais têm sido uma fonte rica de dados, incluindo informações sobre a localização de suspeitos, para as investigações contra-terroristas. A NSA utiliza, principalmente, o Twitter e o Facebook para descobrir quem são e onde estão os maiores terroristas ao redor do mundo.

Um bom exemplo desse tipo de processamento de dados são as investigações que utilizam as cerca de 90.000 postagens diárias de apoiadores para identificar membros do Estado Islâmico e encontrar seus centros de operações.

Quando Mark Taylor, um neozelandês que deixou seu país para lutar pelo Estado Islâmico, twittou mensagens de apoio ao grupo no fim de 2014, ele não sabia que estava dando sua localização exata na Síria. Depois de perceber o deslize, Mark excluiu cerca de 45 tweets com tags de geolocalização, mas não antes que um grupo canadense de inteligência open-source rastreasse sua localização e divulgasse na internet.

Em um relatório do Brookings Institute, de Washington, pesquisadores apontam que entre setembro e dezembro de 2014, cerca de 46.000 contas do Twitter eram usadas por membros de grupos terroristas, muitas delas com tags que entregavam a localização dos autores em suas postagens.

Descoberta de padrões de comportamento

Em alguns casos, descobrir passos que podem culminar em um ataque terrorista pode ser mais importante do que encontrar uma resposta pronta sobre a localização de um suspeito. Agrupar informações que, quando conectadas, formam uma linha lógica possibilita investigações mais inteligentes por parte das autoridades e o mais importante: impede ações de terror antes que elas ocorram.

Por meio do uso de Big Data é possível entender séries de repetição comportamental e aumentar as chances de previsão de ataques. Ligeiramente diferente das soluções desenvolvidas pela NSA nos EUA, o sistema Dfuze, da Inglaterra, é utilizado pelo governo britânico justamente para analisar ataques já ocorridos e descobrir um padrão para ações executadas por terroristas.

Os usuários do sistema verificam dados que vão de imagens a documentos relacionados aos ataques para encontrar tendências e evitar novas tragédias. Vale ressaltar que o Dfuze permite o fácil compartilhamento de dados entre seus analistas e não é uma ferramenta exclusiva da Scotland Yard, sendo usado em diversos países como Austrália, Hungria e Singapura.

Análise de dados em tempo real

Outro ponto positivo do uso de Big Data em soluções de segurança é que, além de determinar localizações, troca de informação e fazer rastreamentos a partir de outros dados, esse tipo de estratégia permite a realização de todas as suas operações em tempo real. Isso significa que os grupos de segurança de cada país podem fazer uso dessa inteligência para monitorar suspeitos e interceptá-los antes de um desastre.

No atual contexto de crescente digitalização, nós geramos cada vez mais informação, e os terroristas também. Dados bancários, telefonemas, comunicação online, compra de passagem e afins são boas fontes para monitoramento quando o objetivo é evitar novos ataques.

Com a necessidade de criação de mais políticas de compartilhamento de dados essenciais, aumenta também a quantidade de informação trocada colaborativamente entre países. A esperança é que o uso da tecnologia insira mais inteligência nos processos investigativos e torne o medo dos ataques terroristas cada vez menor.

Já imaginou como será o mundo com mais instituições usando o Big Data em prol da sociedade? O que você espera de positivo? Deixe seu comentário!

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