Análise e Discussão Big Data Cases Eleições

Como será o uso de Big Data Analytics nas Eleições 2016?

hekima-bigdata-election
3

Estamos vivendo uma era de transição, uma verdadeira revolução silenciosa, em que passamos gradualmente de um mundo off-line para um universo híbrido, em que online e off-line se confundem (já que a maior parte da população mundial está conectada 24h à web).

Nesse cenário, quase a totalidade dos registros humanos trafegam pela internet e a análise de dados vem se consolidando como o verdadeiro petróleo do novo milênio. 

Nos próximos parágrafos, você vai entender porque Big Data Analytics promete ser o grande trunfo dos vencedores nas campanhas para prefeitos e vereadores nas eleições 2016.

O (doloroso) aprendizado dos republicanos nas eleições presidenciais norte-americanas de 2008 e 2012

Nos EUA, em 2008, enquanto o staff do republicano John McCain se limitava a distribuir malas diretas e concentrava sua atenção na campanha eleitoral televisiva, os democratas que atuavam no background da campanha de Obama varriam as redes sociais, através de ferramentas de monitoramento de mídias sociais, no intuito de conhecer melhor o eleitorado, segmentando os anseios norte-americanos por região e, com isso, obtendo melhores insights para elaboração de estratégias de comunicação distintas para cada colégio eleitoral. Em 2012, os republicanos insistiram no erro e, mais uma vez, pagaram caro por isso.

Na eleição em que cientistas de dados se tornaram tão importantes quanto cientistas políticos, a equipe de Barack Obama aprofundou ainda mais sua atuação em Big Data, utilizando sistemas modernos para prever mudanças de opinião do eleitorado, monitorar as expressões emocionais dos norte-americanos durante os debates, tudo em tempo real (via Social Big Data), confirmar pesquisas e até mesmo rastrear possíveis fontes de financiamento privado. Apesar da disputa mais acirrada do que o pleito anterior, Mitt Romney acabou derrotado no que ficou conhecido como The Fisrt Big Data Election in history.

Embora já tivessem sido usados em 2008, a eleição de 2012, nos EUA, chancelou para sempre a lição de que quem sabe lidar com os dados que circulam na web, tem imensa vantagem competitiva eleitoral.

Big Data Analytics nas eleições brasileiras

Os correligionários da (então) candidata à reeleição Dilma Rousseff aprenderam rapidamente com o exemplo norte-americano o quanto poderia custar caro menosprezar o poder dos dados na multiplicação exponencial de votos. Em um dos pleitos mais disputados da história, ficou a cargo das soluções tecnológicas de alta performance da Hekima a geração de análises preditivas, baseadas na captura e tratamento de montanhas de dados oriundos de redes sociais, pesquisas de opinião, série histórica de dados eleitorais, etc.

Esse oceano de “rastros” foram intercruzados por meio de softwares de alta capacidade de processamento que, através de algoritmos, técnicas estatísticas avançadas e análise combinatória, geraram informações estratégicas fundamentais para a vitória da atual presidente. Definitivamente, no mundo de hoje, conhecimento é poder.

Como atua uma solução de Big Data Analytics no processo eleitoral?

A aplicação é estruturada para capturar as opiniões sobre políticos, permitindo investigar a percepção dos internautas durante um determinado período. A arquitetura desse sistema é baseada, sobretudo, por um cluster Hadoop, o qual será responsável por receber e armazenar as mensagens coletadas em redes sociais como Twitter, Facebook, Google+, LinkedIn etc. Para quem está ainda se familiarizando com o tema, Hadoop é uma estrutura de código aberto para armazenamento de grandes volumes de dados, permitindo que as organizações obtenham insights a partir de imensas quantidades de dados estruturados e não estruturados, de forma rápida e assertiva.

Os dados alocados no cluster (oriundo de fontes internas e externas diversas) são processados com o auxílio de inúmeras técnicas de matemática avançada e estatística. Em uma fase de Análise de Sentimento (Sentiment Analysis), as mensagens coletadas são classificadas de acordo com a expressão afetiva, em cada publicação, a respeito de um determinado candidato, gerando relatórios analíticos sobre a percepção dos usuários sobre as personalidades públicas. Tudo em uma velocidade e precisão impossíveis de serem realizadas pelo olhar humano.

Os resultados são, então, exportados para um banco de dados relacional MySQL. Por fim, uma interface web se encarregará de exibir os resultados finais à análise, mostrando à equipe de campanha indicativos de mudanças de comportamento dos eleitores, possíveis estratégias a serem adotadas de acordo com cada perfil eleitoral, interpretações sobre as reações dos espectadores durante debates, projetos políticos com potencial de geração de empatia por parte da população, ratificações de pesquisas, etc.

Benefícios do uso da Ciência de Dados nas eleições

  • Conhecer o comportamento do eleitor, suas demandas, expectativas, projetos preferidos;

  • Monitorar as alterações emocionais do eleitorado de acordo com discursos, ações de marketing político ou debates;

  • Mudar estratégias com rapidez, a depender das mudanças de comportamento da população;

  • Confirmação de pesquisas/realização prévia de pesquisas internas com poder de assertividade muito superior ao das metodologias de pesquisas tradicionais;

  • Identificar formadores de opinião por segmento, que tenham valor de conversão de voto em sua campanha (aqui vale lembrar o ensinamento de Sun Tzu, em A Arte da Guerra: “Conheça a você e a seu inimigo e vencerá todas as batalhas”);

  • Descobrir novas fontes para financiamento privado.

E nas eleições 2016?

No Brasil, o uso de Big Data Analytics para fins eleitorais esteve restrito ao pleito presidencial, mas essa limitação deve cair por terra neste ano. Assim como já vem ocorrendo nos EUA, vereadores e prefeitos já começaram a recorrer a especialistas em Data Mining desde o início de 2016 a fim de profissionalizar ainda mais a elaboração de estratégias de monitoramento e geração de insights, que guiarão suas campanhas a partir do segundo semestre.

Como a formação de uma equipe própria de cientistas de dados é muito custosa e acaba desfocando os partidos do seu objetivo central (a análise política), a maior parte das siglas que atuarão nas eleições 2016 tem optado pela contratação de empresas com expertise em análise preditiva. Ganhar eleição na Era da Conectividade exige atualização e modernização com as ferramentas de tecnologia da informação.

Outro uso interessante de Big Data Analytics no processo eleitoral será o de realizar uma espécie de benchmarking às avessas, rastreando as movimentações emocionais dos eleitores para encontrar falhas nos discursos dos opositores. Isso facilitará a elaboração de estratégias de desconstrução dos adversários.

Com a eclosão de redes sociais de acesso privado, como Whatsapp e Snapchat, outro desafio interessante nas eleições 2016 será conseguir captar as expressões emocionais dos eleitores também por meio desses novos canais.

De todo modo, o pleito deste ano para a escolha dos prefeitos e vereadores promete ser intensamente acirrado e, pela primeira vez, guiado pela Ciência de Dados. Quem ainda insistir em apostar apenas na comunicação estática, generalista e ultrapassada das campanhas de TV e das velhas carreatas, certamente terá imensas dificuldades competitivas.

Que tal continuar aprofundando seu conhecimento e aprender agora como conhecer seu público por meio da mineração de dados? Até mais!

Baixe_aqui_seu_Ebook (5)