Análise e Discussão Cases

Como soluções de Big Data podem ajudar atletas e esportistas?

Como soluções de Big Data podem ajudar atletas e esportistas
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Se “Moneyball” tivesse sido filmado na década de 70 ou 80, certamente seria hoje considerado premonitório.

Entretanto, o longa-metragem estrelado por Brad Pitt, em 2011, apenas transpõe para a tela grande o retrato de uma profunda mudança social impulsionada pelas soluções de Big Data Analytics.

Apenas a título de curiosidade, para quem ainda não assistiu, o longa baseado em fatos reais conta a história de Billy Beane (Brad Pitt), gestor do time de baseball Oakland Athletics que, em parceria com um importante economista da Universidade de Yale, cruza estatísticas de desempenho de diversos atletas considerados medianos no baseball norte-americano.

Como resultado dessa intensa análise de performance, Beane consegue ter em mãos um diagnóstico completo das limitações de cada profissional – diferencial preponderante para a formação de um time campeão que quebrou o recorde de vitórias consecutivas na liga americana de baseball. Mas, esse é apenas um exemplo raro de case do uso de Big Data no esporte? Nem tanto.

Por que as soluções de Big Data foram disseminadas para melhora da performance esportiva?

Após ter seu uso aplicado em laboratórios, hospitais e institutos de pesquisa, sempre no intuito de melhorar procedimentos médicos e encontrar a cura de doenças (saiba mais sobre como Big Data tem sido usado no combate a doenças e epidemias), a análise de grandes volumes de dados por meio de superprocessadores teve seus benefícios emprestados também à indústria esportiva.

Os exemplos são diversos e alcançam modalidades como tênis, vôlei, basquete, futebol, artes marciais e, é claro, o baseball, tema do blockbuster citado no começo deste artigo. Entre as razões que explicam o porquê de, nos últimos anos, o uso dessa tecnologia ter se tornado tão comum na esfera esportiva, podemos citar:

  • Ferramentas automatizadas de processamento de dados são capazes de lidar com volumes de variáveis que não são possíveis de serem relacionadas integralmente por olhos humanos;
  • A coleta de dados de desempenho em tempo real (como frequência cardíaca durante uma arrancada, altura do impulso, queda de força muscular ao longo do tempo de exercício, nível de estafa) permite compreender com muito mais rapidez e precisão quais os limites físicos de cada atleta, bem como quais pontos devem ser melhorados;
  • Esse mesmo monitoramento de dados durante um treinamento permite que preparadores físicos e técnicos visualizem, minutos depois de uma jogada, quais erros de fundamento vêm sendo cometidos, que falhas de posicionamento deram margem para um contra-ataque do adversário, entre outros diagnósticos táticos;
  • A possibilidade de destrinchar as características de jogo do adversário também é uma vantagem indiscutível nas competições de alto desempenho. A análise minuciosa, por exemplo, dos movimentos característicos dos pés de um tenista antes de executar um forehand ou dos vícios de esquiva de um lutador de boxe durante suas lutas podem revelar fraquezas dos rivais imperceptíveis a olho nu, garantindo uma preparação muito mais eficaz.

Cases de sucesso em soluções de Big Data no esporte

Futebol

Os exemplos são incontáveis, mas que tal recordarmos o mais famoso (e, por que não dizer, “doloroso”) dos últimos anos?

A seleção alemã de futebol teve em Big Data Analytics um aliado fundamental na conquista de seu 4º título mundial. Por meio de um poderoso sistema de coleta, agregação e processamento de dados, a comissão técnica do time conseguiu, antes mesmo da fase de preparação em solo brasileiro, ter acesso a todas as jogadas ensaiadas, movimentações, pontos fortes e fraquezas das 32 seleções que competiriam na Copa do Mundo.

Segundo o gerente da seleção da Alemanha, o ex-jogador Oliver Bierhoff, “em um período de 10 minutos, 10 jogadores com apenas três bolas são capazes de gerar mais de 7 milhões de pontos de dados”. Consegue imaginar agora a riqueza de informações que podem ser geradas por meio de dados como esses?

Após o sucesso da seleção alemã no uso dessa estratégia, diversos clubes também passaram a incorporar a mineração de dados na preparação de seus atletas. Um deles é o Bayern de Munique, que tem apostado em soluções de Big Data para compreender com perfeição a energia cinética envolvida nos movimentos de seus jogadores durante os treinamentos, no intuito de reduzir lesões.

Um sistema como esse pode avisar ao preparador físico que um jogador já sofreu uma lesão na última vez em que teve que fazer um certo exercício, por exemplo, e isso permite a adaptação da rotina de treinamentos de acordo com as limitações ou necessidades de cada atleta. No Brasil, o Grêmio é um dos clubes que se apoiam em Analytics para otimização de performance.

Vôlei

A seleção brasileira de vôlei é uma das pioneiras na utilização de Big Data na esfera esportiva. No interior dos ginásios do Centro de Desenvolvimento de Voleibol, espécie de “QG” do vôlei nacional, na cidade fluminense de Saquarema, diversas câmeras foram instaladas em pontos estratégicos das quadras, permitindo a visualização de praticamente todos os ângulos possíveis.

Além disso, equipamentos eletrônicos discretos são presos ao corpo dos atletas, permitindo monitoramento constante de batimentos cardíacos, avaliação de contrações e distensões musculares em cada passe ou cortada, verificação de níveis de impulso, dentre outras análises. O tempo de resposta dos jogadores diante das jogadas do adversário e a movimentação coletiva em quadra também são registrados.

Percebe a quantidade de elementos que serão intercruzados por um sistema eletrônico? Conseguiriam os olhos humanos fazer igual com a mesma precisão? São esses dados que, harmonizados, se transformarão em poderosas informações sobre o rendimento e desempenho tático dos atletas, facilitando a criação de treinamentos que preencham as lacunas da equipe, levando-a à excelência de rendimento.

MMA

Nem o MMA, esporte que mais cresce no mundo, escapou da vantagem competitiva adquirida por meio de soluções automatizadas. Os mais importantes atletas do segmento, como Anderson Silva, Rodrigo Minotauro e Jon Jones, recorreram a especialistas em Big Data Analytics para desenvolver análises descritivas, diagnósticas e preditivas acerca de seus treinamentos e das performances de adversários. O objetivo é reduzir ao máximo a imprevisibilidade do octógono!

Tênis

Já o tênis, mais precisamente no Australian Open, encontrou na análise descritiva uma função diferente da usual: transformar a experiência de assistir a um Grand Slam em um riquíssimo processo de interação e visualização de múltiplos ângulos da disputa, em tempo real.

Durante o torneio, um volume gigantesco de dados é capturado, analisado e compartilhado com os milhões de fãs que estão assistindo ao jogo da arquibancada ou pela TV (por meio de apps que podem ser acessados de qualquer smartphone). A ferramenta combina dados extraídos de nada menos do que 39 milhões de fontes, gerando informações coletadas dos últimos 5 anos de diferentes Grand Slams.

O produto de toda essa tecnologia é a disponibilização do histórico completo de performance de cada tenista, suas possíveis armas contra adversários e o que ele poderá usar para neutralizá-los. Você que achava esse esporte monótono ainda tem a mesma opinião?

Optimized Athlete Program e a fábrica de campeões!

Optimized Athlete é o nome de um famoso projeto criado em 2011, na Califórnia, pelos atletas Sky Christopherson, Tamara Christopherson e Adam Laurent. O objetivo era o de estudar a fundo questões físico-químicas envolvidas nas atividades esportivas de alto desempenho, como energia cinética, biomecânica e até medicina genômica – tudo visando melhorar a performance humana.

Os primeiros resultados foram colhidos ainda na fase embrionária do programa: a conquista da medalha de prata do time norte-americano de ciclismo feminino nas Olimpíadas de Londres, em 2012. Inclusive a história da primeira equipe auxiliada pela audaciosa empreitada virou filme!

Big Data Analytics é uma viagem sem volta em uma nova forma de o homem enxergar seus limites e a si mesmo. Melhora no desempenho educacional, no gerenciamento do tráfego, na prevenção de doenças, na formulação de estratégias empresariais e, é claro, na esfera esportiva. É por meio da interpretação da “montanha” de dados gerados diariamente pela interação humana que aprenderemos a nos conhecer melhor e, assim, tornar nosso mundo mais adequado às nossas necessidades.

Você já conhecia essas histórias do uso de Big Data no universo dos esportes?

Saiba mais sobre como as soluções de Big Data contribuem para um mundo melhor e conte para nós a sua opinião sobre o assunto!

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