Análise e Discussão Big Data

Dia Internacional da Mulher: Empoderamento feminino na T.I. e no mercado de Big Data

Imagem-alternativa
2

Supreendetemente ou não, o Dia Internacional da Mulher e Big Data são mais relacionados do que você imagina.

A conexão mais clara são os dados que afirmam a baixa presença de mulheres na área de T.I., mas o papel feminino na constante revolução tecnológica vai muito além do que a maioria dos profissionais e aficcionados por computação imagina.

O que você sabe sobre a presença de mulheres nesse universo de tecnologia, programação e dados?

Muitos talvez não saibam, mas um dos grandes nomes de profissionais que revolucionaram a tecnologia é o de uma mulher. Grace Hopper foi a maior analista de sistemas da Marinha dos Estados Unidos, entre os anos de 1940 e 1950. Ela foi também uma das primeiras mulheres no mundo PhD em matemática.

Hopper foi uma das pioneiras em um contexto profissional predominado por homens. Ela criou o primeiro compilador e desenvolveu a Flow-Matic, a primeira linguagem de programação que o mundo conheceu, e que serviu para a invenção do COBOL.

Sabe qual era o segredo de Hopper? Enfrentar a frase que ela mais ouvia entre as equipes de desenvolvimento nas quais trabalhou: “Sempre fizemos assim”. Pois é, Grace se sentia desafiada ao ver equipes de tecnólogos conformados com o mesmo e conseguiu estimular inúmeras mulheres a ocuparem seu espaço na tecnologia.

Muitas barreiras já foram derrubadas desde a época de Hopper, mas é imprescindível reconhecermos que ainda estamos longe de um cenário justo e igualitário para as mulheres dentro e fora do contexto tecnológico. Além da homenagem, o Dia Internacional da Mulher também serve para abrir o debate sobre o empoderamento feminino e questões vivenciadas exclusivamente pelas mulheres.

Mais mulheres na T.I.

Não nos faltam exemplos de profissionais da T.I. com trajetórias inspiradoras e disruptivas: desde Ada Lovelace, que desenvolveu o primeiro algoritmo a ser processado por uma máquina ainda no século XIX, até Sheryl Sandberg que atualmente é COO do Facebook e é referência para milhares de mulheres empreendedoras.

Essas mulheres, no entanto, ainda são exceção.

Uma pesquisa realizada em 2009 pelo PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) revelou que apenas 20% do universo de 520 mil pessoas que trabalhavam com T.I. eram mulheres. O mesmo estudo identificou que, do corpo discente dos cursos relacionados à Tecnologia da Informação, apenas 15% eram mulheres.

Ficamos com uma pulga atrás da orelha: será que as mulheres realmente não têm interesse na área da T.I. ou, de fato, há algo errado no mercado? Com a crescente demanda por cientistas de dados, será que agora as mulheres conquistarão espaço com mais facilidade? (Nós esperamos que sim!)

Sabemos que não somos os únicos na torcida pelo aumento do empoderamento feminino, sobretudo nos mais variados segmentos de trabalho. Pensando nisso e na oportunidade de dar voz em uma data simbólica, conversamos com algumas profissionais que vêm ocupando diferentes espaços na área da T.I. e dando cada vez mais força para as mulheres alcançarem as posições que desejarem no mercado.

O que elas pensam?

E o que mulheres que estão no mercado da T.I., do Big Data Analytics em pleno Dia da Mulher de 2016 têm a nos dizer? A Mestre em Ciência da Computação, Tatiana Pontes, que trabalha na Hekima,  nos contou um pouco sobre os desafios que enxerga.

“O grande desafio é fazer parte de uma minoria, claramente ainda somos poucas no mundo da tecnologia. Na graduação, fui a única mulher da minha sala, o mesmo aconteceu no laboratório de pesquisa que trabalhei no Canadá, e hoje sou a única desenvolvedora do meu time.

Não vejo isso essencialmente como um problema ou uma desvantagem no mercado, mas sinto que por vezes minha competência profissional é questionada por eu não ter o estereótipo do típico cientista da computação.

É interessante como constantemente as pessoas se surpreendem ao saber que escrevo códigos”, explicou. “Apesar das batalhas, me sinto orgulhosa de encarar esse universo e, de certa forma, contribuir para que tenhamos cada vez mais voz numa área que vem revolucionando o mundo”, completou Tatiana.

Tatiana Pontes, desenvolvedora na Hekima

 

 

 

 

Gaba é uruguaia e falou ao nosso blog sobre o assunto. Hoje ela trabalha como Desenvolvedora de Software na Mozilla, faz trabalhos incríveis de hackativismo, e sempre está em busca de criar intereseções entre a mídia e tecnologia. Ela também mandou um recado para mulheres que querem trabalhar com tecnologia e dados:

“Para trabalhar com tecnologia e dados basta apenas tentar. Busque todo tempo livre que tenha e tente resolver problemas com tecnologia e olhar os dados que estão disponíveis. Não há barreiras, apenas experimente, experimente e experimente. A prática faz o sábio (ou a sábia), nesse caso”

Gaba

 

 

 

 

Outra referência feminina no mundo da T.I. é a Alda Rocha. Ela tem 37 anos, é Coordenadora de Soluções e TI da Isobar, e ainda encontra tempo para compartilhar seu conhecimento através de cursos de UX, front end, dentre outras áreas.

Alda também foi mentora do Women Techmakers no Brasil e criou o GDG DROPS, evento que procura estimular a presença de mais mulheres na área de tecnologia. Olha só o que ela compartilhou conosco sobre os desafios das mulheres na área da T.I:

“O maior desafio é acreditar que podemos. Tanto os outros acreditarem nisso, quanto nós mesmas. Ao longo dos anos, nos colocaram limites e travas que nos faziam acreditar que estar no meio tecnológico não nos era permitido ou seria um pesadelo.

No fundo, o mercado de tecnologia precisa de todo mundo, homem, mulher, gays, gente alta, gente baixa… quanto mais gente diferente, maior é a chance de termos todas as perspectivas do todo”, comentou Alda.

Alda

 

Empurrãozinho

Uma oportunidade interessante para mulheres que estão cursando Ciência da Computação, ou graduações em áreas correlatas, é o Outreachy – programa do projeto GNOME com o objetivo de promover estágios globais para mulheres (e outras minorias) em grandes empresas de tecnologia como Mozilla, WordPress, Linux e Wikimedia Foundation.

As inscrições para o ciclo deste ano estão abertas até o dia 22/03/2016!

Já para as meninas que ainda estão na dúvida sobre seguir ou não essa área, a dica é conferir o recado da Carolina Bigonha, que é sócia-fundadora da Hekima, e emendou graduação e mestrado em Ciência da Computação na UFMG:

“É uma área que apresenta ferramentas incríveis e empodera as pessoas para criar, transformar. O mais fascinante é que você pode trabalhar com o que quiser… de Biologia à Música!

Muitas vezes há o estereótipo de que é um trabalho solitário, mas é muito mais que isso. Vai do algoritmo à gestão de equipes e construção de produtos com real impacto na sociedade”, explica a cientista da computação. “Enfim, é uma área linda e do futuro”, finalizou.

carolina

 

 

 

E aí? Bateu uma inspiração com esses relatos? Conhece outros exemplos de mulheres que são referência em computação, programação e data science? Vamos continuar a conversa nos comentários.

Compartilhe este post e ajude mais mulheres a invadirem, ou melhor, ocuparem o espaço que merecem no mercado da T.I. 😉

  • Luciana Fujii

    Ótimo artigo! Parabéns! Só pra completar, o Outreachy não é só para trabalhar com Mozilla. Criado inicialmente pelo projeto GNOME, hoje são vários projetos de software livre que participam como Linux (kernel), Wikimedia Foundation e WordPress.

    • Hekima

      Olá Luciana!

      Ficamos felizes com o seu feedback. Obrigado pela observação, já fizemos a correção no texto! :)

      Abraço!