Análise e Discussão Big Data Blogueiro Convidado

Estatística, Business e Big Data: uma receita curiosa

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Por Raniere Ramos (blogueiro convidado)*

Estão preparados para aprender uma receita curiosa? Não é como uma receita de bolo ou doce que podemos fazer apenas seguindo os passos. Onde conhecemos todos os ingredientes e, na maioria dos casos, a quantidade exata que vamos usar.

Para fazer essa receita, você precisará dos ingredientes de três “sacos”: Estatística, Business e Big Data. E cada um destes sacos possui uma quantidade infinita de ingredientes, capazes de produzir os mais belos produtos e serviços vistos nos últimos anos.

Dependendo da combinação que você fizer, os resultados podem ser dos mais variados: otimização de recursos econômicos; aumento da qualidade dos produtos e produtividade da equipe; novos modelos estatísticos para definir perfil de clientes de um banco; testes de eficiência para um novo medicamento farmacêutico; previsão em tempo real das condições de trânsito; apresentação de informações estratégicas e primordiais para o futuro da sua empresa.

Quer conhecer um pouco mais de cada “saco”, e criar a sua própria receita?

Estatística

A Estatística é ensinada em praticamente todas as áreas do conhecimento: agronomia, economia, biologia, medicina, pedagogia, sociologia, psicologia, tecnologia da informação, matemática. Todo mundo precisa de Estatística. Por mais que a maioria das pessoas não goste do tema, acredite: não tem nada de chato nas estatísticas. Especialmente nos dias de hoje, quando podemos extrair um “oceano” de informações dos dados e realmente entender o mundo.

As estatísticas nos dizem se as coisas que pensamos e acreditamos são mesmo de verdade. Ela nos dá uma real perspectiva sobre o mundo onde vivemos. É uma ciência muito poderosa, e nos ajuda a dar sentido aos dados. Gera informações essenciais para monitorarmos governos e sociedades.

Geralmente, quem faz as análises e encontra o significado das coisas é o ESTATÍSTICO. Mas essa realidade tem mudado constantemente porque as pessoas começaram a acordar para o poder da estatística. Agora é comum encontrarmos engenheiros, enfermeiros, médicos, psicólogos, administradores e até jornalistas aplicando técnicas e métodos.

Sem brincadeira, a estatística dos últimos 5 anos é o assunto “mais sexy” que existe. Todos querem entender o que está acontecendo. E por causa disso cursos aparecem o tempo todo, aplicado às mais variadas áreas do conhecimento – como em saúde.

Antigamente, os Estatísticos não gostavam de dizer sua profissão. Afinal de contas, ninguém entendia que trabalho era esse. Hoje os profissionais têm orgulho dela. Eles procuram por padrões e correlações nos dados e são capazes de fazer análises em escala gigantesca (Big Data). Compartilhar a compreensão desses dados com todos que quiserem ouvir, além de revelar que a Estatística não é assustadora como as pessoas acham, é uma das suas missões. E se a história dos números for contada de uma maneira bonita e inteligente, então todos entenderão.

Com a Estatística é possível descobrir o que está acontecendo e por que! Definitivamente, agora temos uma visão mais clara do mundo.

Business

As empresas querem entender o que está acontecendo e melhorar seus negócios. Seja uma empresa no setor financeiro, transporte, saúde, serviços, fabricantes de carro, rede de hotéis ou tecnologia. Todas querem conhecer bem os seus clientes e oferecer os melhores serviços e produtos. Definir o business para conseguir o seu melhor.

Entender como as coisas funcionam e como evoluem nos permite ter um controle maior. Por exemplo, se você soubesse que a Suécia possui a maior quantidade de barcos por pessoa da Europa (1 a cada 9 pessoas), o que você faria? Se você fosse dono de uma seguradora e tivesse a informação de que os homens têm em média o dobro de acidentes fatais por km dirigido, qual seria o valor do seguro? Se você tivesse um hotel, no centro da cidade, e identificasse que a quantidade de reservas diminui consideravelmente aos finais de semana, quais seriam suas ações?

Ao invés de nos perdermos em preconceito e nos munirmos de intuições, chutes e interesses pessoais, devemos analisar os dados. Tomar decisões mais inteligentes com base em dados. Com as estatísticas em nossas mãos, nossos olhos podem se abrir para uma visão do mundo baseada em fatos. E então, mais do que nunca, podemos nos tornar autores do nosso próprio destino, do nosso próprio business. E isso é muito emocionante, não é?

Big Data

Para melhorar ainda mais a nossa “receita”, apresentamos o terceiro e último “saco”. Esse é onde ficam os dados, as técnicas e os métodos computacionais.

Nosso mundo está repleto de dados. Eles aparecem o tempo todo e vêm de todos os lados. Vivemos intensamente e compartilhamos tudo: o que compramos, comemos, bebemos, lugares que visitamos, quem conhecemos, onde corremos. Hoje existe mais informação acessível do que em qualquer outra época. E uma boa parte dela é proveniente das mídias sociais.

Mas esses dados sozinhos são apenas barulho e confusão. É por isso que precisamos dos outros dois “sacos”: estatística e business. As estatísticas são muito mais úteis do que geralmente gostamos de admitir e, sem um propósito (business), não há por que realizar algum tipo de análise. Então defina o problema ou a questão, escolha ou teste as técnicas estatísticas e colete a maior quantidade de dados que conseguir (big data), como a empresa John Deere fez.

A partir daí, usaremos as ferramentas que ajudarão a entender o “mundo mutante”. Os dados mostram o que funciona e o que não funciona. E quando falamos de big data, isso só é possível graças ao incrível poder dos computadores modernos, fundamental para transformar o processo de descoberta.

Juntando estatística, big data e os computadores atuais, tenho confiança de que podemos lidar com qualquer situação. E é dessa forma que conseguiremos resultados mais eficientes. Analisar apenas uma coisa de cada vez não nos diz muito. Temos que olhar para o relacionamento das coisas; observar como elas mudam, como variam juntas. É dessa forma que entenderemos os processos que realmente acontecem no mundo e na sociedade. E a internet pode ajudar muito, pois ela é uma dessas muitas tecnologias criadas para coletar quantidades imensas de dados.

Para que você possa criar a sua própria receita com ingredientes dos três sacos, darei dois exemplos:

  • Metrô de Santiago, Chile: pensando em melhorar a qualidade do metrô, a empresa estudou a quantidade de pessoas que utilizam o transporte, analisou horário e dias de pico. Dessa forma, ela concede descontos em determinados horários e dias da semana, incentivando os usuários do serviço a o utilizarem fora dos horários de pico. Técnicas de estatística, aplicadas a big data e com um propósito definido, ajudaram o Metrô de Santiago a melhorar seu business.
  • Uber em Santiago, Chile: Vivenciei recentemente a experiência de usar o serviço em outro país. Ao solicitar um UberX em um sábado à noite, fui informado pelo aplicativo que a demanda estava alta, e por isso o preço a ser cobrado pela corrida seria o dobro. Como chegaram nesse valor?

A Uber é uma das empresas que utiliza big data em conjunto com estatística, e realiza análise de dados em tempo real. Conforme o número de solicitações aumenta, o tráfego de carros fica intenso, tem algum show na cidade ou está chovendo, o preço do serviço varia. É você fornecendo dados via internet, à medida que as coisas vão acontecendo.

Geramos quantidades inimagináveis de dados sobre tudo que pudermos pensar o tempo todo. Então pegue seus 3 sacos, escolha seus ingredientes, misture tudo a seu modo e na sua medida, e crie sua receita. Não existe receita certa; existe aquela que vai “saciar” a sua vontade de comer naquele momento. Você tem fome de quê?

*Raniere Ramos é Estatístico formado pela Universidade Estadual de São Paulo e acredita que as decisões mais inteligentes são tomadas com base em dados.

Para conhecer mais de seu trabalho, confira seu site e siga-o nas redes sociais: site, facebook e twitter.

 

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