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Mineração de dados: saiba como ela beneficia estratégias políticas

Mineração de Dados e Estratégia Política
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Big Data se tornou um instrumento fundamental para o direcionamento estratégico das empresas. Atualmente, as campanhas publicitárias partem de estudos sobre os consumidores, a situação do mercado e seguem em tempo real todas as interações entre cliente e organização. Tudo isso possibilita ações mais rápidas e que atingem em cheio os anseios do público.

Ora, se o poder de resposta às demandas do mercado foi potencializado por meio da Ciência de Dados (algo inquestionável), por que o marketing político não poderia se beneficiar da possibilidade de “ler” seus eleitores com antecedência?

Qual o impacto eleitoral em conseguir preparar campanhas mais eficazes, mudando orientações de acordo com o curso das movimentações emocionais da população? Essa foi a pergunta respondida com sucesso pela equipe da campanha de Barack Obama, que se tornou um divisor de águas na forma de fazer política.

Hoje você entenderá mais sobre a aula que a equipe do atual presidente dos EUA deu ao mundo no uso de Big Data para o fortalecimento de uma estratégia política!

Faça o que sempre fez e continuará obtendo o que sempre obteve

Assim como é declarado abertamente por Dan Wagner, que presta assessoria de Analytics para o governo norte-americano, o trabalho com Big Data foi o grande diferencial da campanha vitoriosa do atual presidente dos EUA, sobretudo nas eleições de 2012.

De fato, o comitê central da campanha de Obama enxergou inovação enquanto os rivais só viam mesmice. Enquanto a campanha de 2008 surpreendeu o mundo com o intenso trabalho nas redes sociais, além de um inicial estudo com Social Big Data, a de 2012 se aprofundou ainda mais nas estratégias de mineração de dados para falar diretamente ao coração dos exigentes eleitores norte-americanos, assegurando a marca expressiva de mais de 65 milhões de votos.

Embora nesse último pleito a equipe do rival Mitt Romney tenha despertado (tardiamente) para a necessidade inevitável de utilizar a análise de dados, a experiência anterior agregada pela campanha de Obama, quatro anos antes, permitiu ao democrata alcançar resultados muito mais eficientes com essa tecnologia. Confira a receita do sucesso desse episódio que deveria servir de lição à classe política brasileira:

Big data como apoio à estratégia política da campanha de Barack Obama

Segmentar discurso

A primeira atitude adotada pela equipe de campanha de Obama foi contratar analistas políticos, certo? Errado. Foram os analistas de dados os primeiros a serem escalados no time do candidato de Honolulu. Era papel deles seguir todos os rastros possíveis dos eleitores norte-americanos, buscando encontrar os indecisos, quais suas ponderações, o que seria importante a eles etc. E isso fez toda a diferença nos resultados finais das duas eleições do atual presidente.

A partir deste diagnóstico (e assim como fazem as grandes empresas), a campanha do democrata também segmentou os internautas, disparando mensagens muito mais atraentes aos interesses de cada destinatário, resultando em um discurso com foco diverso, mas muito mais sedutor.

Multiplicar exponencialmente o financiamento privado

A análise de dados foi usada também para encontrar e engajar possíveis parceiros no financiamento privado da campanha. A caça por apoiadores dispostos a esvaziar o bolso permitiu à sua coordenação política arrecadar impressionantes US$ 670 milhões durante o pleito de 2008.

Conhecer mais profundamente as reais necessidades de seus eleitores

A mineração de dados feita nas campanhas de 2008 e 2012 utilizou dados de pesquisas, registros da imprensa (por meio de revistas, TV, jornais impressos), manifestações em redes sociais (Sentiment Analysis), além de análise científica e estatística das falhas nos discursos de seus rivais (John McCain e Mitt Romney, respectivamente), no intuito de entender qual a visão de cada segmento da população norte-americana acerca da disputa eleitoral.

Quais as maiores expectativas, esperanças e exigências? O que cada grupo considerava importante? Quais discursos dos adversários mais provocavam rejeição da população (e que, portanto, poderiam ser usados impiedosamente em debates ou na propaganda eleitoral)? Perceba que Big Data na estratégia política eleva os direcionamentos a um nível sem precedentes na história política mundial.

Conferir maior credibilidade nas pesquisas internas

O trabalho com a Ciência de Dados na campanha de Obama englobou também o levantamento profundo de todas as variações gráficas das últimas pesquisas presidenciais, buscando compreender quais discursos, movimentos e estratégias eram responsáveis pelas mudanças de opinião da população. Isso gerava a possibilidade não somente de obter pesquisas internas com menor margem de erro, como também de mensurar com antecedência qual o impacto possível de cada ação na disputa eleitoral.


Leia também: Mineração de dados: fique à frente dos concorrentes


Brasil: Big Data nas eleições para prefeitos em 2016

Usamos o case de sucesso das estratégias políticas do atual presidente norte-americano para evidenciar que não há mais espaço para intuição nas disputas eleitorais modernas. Avaliar as decisões tão somente com base em conversas informais e pesquisas de opinião é muito pouco, tendo em vista que já há notícias de políticos brasileiros que estão adquirindo soluções de Big Data de ponta para conduzir seus passos na campanha política de 2016 e 2018.

Ainda não se convenceu? Veja o que Big Data pode trazer na articulação política da próxima eleição no Brasil:

Obtenção de um retrato mais preciso de seus eleitores

O Brasil tem dimensões continentais (e algumas cidades brasileiras, também!). Contentar-se em uniformizar o discurso e transmiti-lo pela TV (marketing tradicional) resulta em um impacto de convencimento pequeno, haja vista que cada região da cidade (periferia, centro, regiões nobres) tem necessidades e valores bastante distintos.

Big Data Analytics na estratégia eleitoral vai entregar à sua equipe um raio-x de cada grupo de eleitores, nos moldes da estratégia de sucesso adotada na campanha norte-americana, possibilitando trabalhar táticas múltiplas em cada estrato social.

Identificar formadores de opinião que tenham valor de conversão de votos à sua campanha

Soluções em monitoramento de redes sociais vão coletar, agregar e processar dados publicados em mídias sociais, que permitam entender quais são as personalidades com maior poder de influência efetiva sobre cada grupo e que tipo de ações poderiam ser feitas em uma eventual parceria com cada um deles para multiplicar exponencialmente seu potencial de votos.

Ter visão macro sobre o cenário político no qual sua candidatura está inserida

Da mesma maneira que Big Data é usado no segmento empresarial para visualizar com antecedência possíveis mudanças de humor ou de comportamento do consumidor, bem como o cenário econômico no exato momento da pesquisa, a mineração de dados na política também pode tirar proveito desses resultados. Saber de algo com antecedência é ter tempo de resposta menor, premissa fundamental nas disputas eleitorais brasileiras, que duram menos de 4 meses. Não há tempo a perder.

Ficou claro que a citada disputa nos EUA abriu margem para a implementação de novas abordagens nos pleitos eleitorais em todo o mundo? Diagnóstico por meio de mineração de dados, monitoramento de redes sociais e análise preditiva serão, certamente, os protagonistas das campanhas bem-sucedidas dos candidatos visionários!

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