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Estudo de caso: A crise hídrica nas redes sociais

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Fazendo uso do Zahpee Monitor, a especialista em mídias sociais Clarissa Ramos monitorou, entre os dias 22 de janeiro e 04 de fevereiro, opiniões e comentários na Internet sobre o tema “crise hídrica”. O objetivo era entender o que vinha sendo falado acerca da questão falta d’água que afeta parte do Brasil, identificar as regiões em que as conversas sobre o assunto estão mais presentes, e quais foram os principais responsáveis por pautar e disseminar conteúdo.  As informações mais compartilhadas e os assuntos predominantes nas conversas também foram observados.

Metodologia

Os termos água, crise e suas variações foram combinadas para a busca nas principais redes sociais. As postagens analisadas foram coletadas entre os dias 22 de janeiro e 04 de fevereiro. Alguns temas foram criados para classificar os posts válidos analisados, dividindo os assuntos abordados entre:

Culpa do Governo Estadual – usado quando a publicação apontava ou dava a entender que governo estadual era o responsável pela crise.

Culpa do Governo Federal – usado quando a publicação apontava ou dava a entender que governo federal era o responsável pela crise.

Culpa do Agronegócio – usado quando a publicação relacionava o agronegócio e/ou atividades correlatas como responsáveis pelo colapso hídrico.

Informações sobre a crise hídrica – usado quando a publicação tinha caráter predominantemente informativo sobre a crise.

Opinião –  usado quando a publicação expressava opiniões e posicionamentos em relação à crise.

Dicas e Conscientização – usado quando a publicação apresentava dicas de racionamento e economia, coleta, reúso e conscientização a respeito da questão hídrica.

Chacota – usado quando a publicação se apresentava em tom de piada, escárnio ou ironia abordando a questão hídrica.

Relato – usado quando a publicação relatava falta d’água ou necessidade de racionamento.

O sentimento das postagens (negativo, neutro ou positivo) não foi considerado um item essencial de avaliação, uma vez que o tema em questão por sí só está inserido em um contexto negativo. O foco principal do monitoramento foi a análise do conteúdo das publicações.

Resultados

O Facebook foi o canal mais presente entre as publicações no período, somando 81% do montante analisado, seguido pelo Twitter, com 19%. Os demais canais não tiveram representatividade significativa.

O estado de São Paulo foi o principal emissor das postagens do período. A maior parte delas responsabiliza o governo estadual pela crise hídrica paulista. Entre os posts geolocalizados,  38% se concentraram em São Paulo, seguidos por 14% no estado do Rio de Janeiro e 10% em Minas Gerais. Demais estados brasileiros e outros países foram responsáveis pelo restante do percentual, não havendo nenhum destaque individual relevante.

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Três estados do sudeste – uma das regiões mais afetadas pela crise – do país concentraram mais da metade das publicações coletadas. A discussão no ambiente digital seguiu a tendência observada na cobertura da mídia nacional, que tem centralizado a pauta da crise hídrica nestes estados, embora parte do nordeste também sofra com o problema.

A principal temática nas postagens foi a responsabilidade pela crise hídrica. Mais de 61 mil posts abordaram a questão, em sua maioria atribuindo ao governo estadual a responsabilidade pela situação. Destes, 38% se referiam ao governo de São Paulo, 11% ao do Rio de Janeiro e 10% ao de Minas Gerais.

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O post mais compartilhado envolvendo responsabilidade pela crise foi publicado pela página da Revista Fórum, que conta com mais de 373 mil fãs no Facebook. A publicação divulgava uma reportagem sobre a decisão de Geraldo Alckmin de fazer uso da água da represa Billings, supostamente contaminada. A publicação foi compartilhada por mais de 2 mil usuários.

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Os posts com Informações sobre a crise hídríca representaram o segundo assunto mais abordado, totalizando mais de 30 mil publicações. Novamente, posts de São Paulo lideraram a soma: 39%. Rio de Janeiro somou 13% e Minas Gerais, 8%. Tiveram destaque as postagens que traziam previsões de racionamento, réplicas de notícias de imprensa, vídeos explicativos  etc.

O principal post registrado no período foi feito pelo perfil do Estadão, que possui mais de dois milhões de seguidores no Twitter.

O terceiro tema mais abordado pelos posts monitorados no período foi Opinião, com mais de 29 mil publicações. Em geral, as postagens traziam artigos e textos de especialistas ou réplicas de conteúdo publicado pela imprensa e opiniões de internautas no geral, apresentando visões sobre a crise. Assim como nos temas anteriores SP, RJ e MG concentraram o maior número de posts geolocalizados: 34%, 18% e 9%, respectivamente. Os principais posts sobre o assunto foram feitos no Twitter e traziam a opinião de usuários em geral com poucos seguidores. Não foram identificados grandes influenciadores de opinião sobre o tema.

A temática Dicas e Conscientização foi abordada em mais de 22 mil posts, sendo o quarto assunto mais discutido. Diversos usuários publicaram informações sobre reúso de água, coleta de água da chuva e economia água no dia a dia. Os estados do sudeste também lideraram as postagens, São Paulo (34%), Rio (20%) e Minas (11%).

Posts dos perfis oficiais da Globo foram os principais disseminadores deste conteúdo nas redes sociais.

Piadas, ironias e brincadeiras, classificados como Chacota, somaram quase 18 mil posts. Destes, 38% foram provenientes do estado de São Paulo, 16% do Rio de Janeiro e 10% de Minas Gerais. O post do comediante e influenciador digital @henriquewicz, que possui mais de 45 mil seguidores no Twitter, foi o mais compartilhado.

As reclamações sobre a falta d’água, reunidas no tema Relato, somaram mais de nove mil posts. Mais uma vez os três estados do sudeste lideraram o volume capturado: SP 33%, RJ 15% e MG 12%.

Uma das postagens mais compartilhadas fazia referência ao possível rodízio de água em São Paulo.

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Os temas Culpa do Governo Federal e Culpa do Agronegócio receberam menor atenção no período monitorado: menos de quatro mil no primeiro caso e pouco mais de 2 mil menções no segundo.

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Conclusão

A análise das publicações deixou clara a predominância das discussões envolvendo a crise hídrica em estados e regiões mais afetadas pelo problema. Embora a crise seja nacional, a população que não foi ainda diretamente afetada parece não ter se mobilizado em discussões sobre racionamento e economia de água.

No que se refere à culpa, os governos estaduais foram responsabilizados de maneira mais ampla que o governo federal. Os hábitos e o uso da água pela população não foram lembrados por muitos usuários como culpados pela crise.

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  • A conclusão foi a melhor… “Os hábitos e o uso da água pela população não foram lembrados por muitos usuários como culpados pela crise.”

    A culpa pela falta d’água no país é principalmente causada pelo mau uso dela. Mau uso não só da população mas de todos (inclusive empresas e governo)

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