Análise e Discussão Big Data Cases

Fight! Como o UFC utiliza Big Data para expandir seus negócios

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Nem Anderson Silva, nem Jon Jones, nem Ronda Rousey.

O verdadeiro astro do UFC, na atualidade, chama-se Big Data.

O UFC (Ultimate Fighting Championship) é a maior organização de eventos de MMA (artes marciais mistas) do planeta e seu crescimento exponencial está cada vez mais evidentes desde que a família Gracie vendeu a estrutura por míseros US$ 2 milhões aos irmãos Fertitta (milionários ítalo-americanos, ligados ao ramo de cassinos em Las Vegas).

A fórmula secreta para o salto gigantesco de crescimento? A profissionalização na gestão a partir do uso da Ciência de Dados para a realização das reuniões de match-up (casamento de lutas).

Hoje, a companhia tem valor de mercado de US$ 3,8 bilhões e em 2015, as receitas estimadas giraram em torno de US$ 600 milhões (pouco mais de R$ 2 bilhões). Mas como começou essa parceria entre Big Data e MMA?

Pancadaria algorítmica

O ano era 2007, quando o jornalista Rami Genauer leu Moneyball e se encantou completamente pela história real de superação de um gerente de um time pequeno de beisebol (Billy Beane), que utilizou a análise de dados para criar uma equipe imbatível nos Estados Unidos.

Fã de MMA e ante a subutilização das estatísticas nas lutas do UFC, o jornalista se inspirou na história do beisebol para criar um projeto chamado FightMetric, em que gravava as lutas e as “retalhava” em pequenos quadros. Tudo isso com o intuito de mensurar dados como quantidade e tipos de strike (uppers, diretos, mawashi geris, joelhadas), quedas mais usadas para levar a luta ao chão (single-leg, double-leg) e movimentos de ground and pound (luta agarrada) mais usados pelos lutadores para chegarem à vitória.

Após convencer o UFC a usar esses cálculos estatísticos na transmissão de um evento da companhia, sediado em Minneapolis, em 2008 (no intuito de dar mais suporte para que os narradores pudessem “ilustrar melhor” a luta), os irmãos Fertitta contrataram a FightMetric como seu provedor de estatísticas.

Hoje, a empresa tem 15 cientistas de dados, que geram informações úteis ao UFC e aos lutadores, como tempo médio de finalização e cansaço de cada lutador, percentual de acurácia dos golpes disparados, locais mais atingidos, movimentações no chão mais comuns de cada atleta, etc.

Esses dados ajudam a tornar o evento “mais televisivo”, mais próximo de um esporte comum aos olhos de um leigo, gerando, portanto, altíssimo retorno sobre o investimento: as milionárias vendas de pay-per-view levam as lutas a mais de 350 milhões de lares, em 145 países. Valeu a pena investir em Big Data, não?

Big Data: ajudando a levar os “gladiadores do 3º milênio” a todas as arenas do planeta

Outra parceria interessante entre Big Data e UFC é a formação de estratégias de expansão da organização. A mineração de dados nas redes sociais, bem como a coleta dos dados de compra de eventos, em todo o mundo, ajuda os executivos da companhia a entenderem onde o UFC tem mais audiência, quais as lutas mais esperadas, as ações de marketing mais assertivas em cada nação e até onde estão os focos de transmissão streaming “piratas” na web.

Ground and Pound, clinchwork e…análise de dados

As mais importantes academias de MMA do mundo, como Nova União (do ex-campeão José Aldo), American Top Team (do brasileiro Ricardo Libório, que tem nomes como Robbie Lawer e Mark Hunt em seu time) e Kings MMA (dos atuais campeões Fabrício Werdum e Rafael dos Anjos) já utilizam o cruzamento de dados estatísticos para melhorarem sua performance e estudarem melhor seus adversários.

Entendendo, por exemplo, que um determinado rival passa a guarda sempre a partir da mesma finta, é possível neutralizar o ataque e buscar a finalização. Como hoje em dia os eventos do UFC são repletos de câmeras, em quase todos os ângulos possíveis (um evento chega a ter mais de 50 câmeras, que geram uma quantidade de dados entre 10 e 15 TB), é mais fácil compreender os pontos fortes do rival e identificar suas próprias falhas, em busca da excelência.

Isso não te lembra alguma coisa? Muito similar aos desafios do universo corporativo, não é mesmo?

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