Mestre Yoda brasileiro: Ivan Moura Campos, co-founder da Hekima, recebe título de Professor Emérito da UFMG

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Um dos pilares da Hekima responde pelo nome de Ivan Moura Campos. Inspiração diária para sócios e colaboradores, o co-founder e “Senior Nerd” (como ele mesmo se chama) da empresa dá o exemplo de como ser um fora de série e ir além de todas as expectativas, seja no meio acadêmico, seja na iniciativa privada.

Caso você (ainda) não conheça nosso Mestre Yoda, saiba que, entre seus marcos profissionais, estão a criação do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, a atuação como Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de Minas Gerais e a fundação da Akwan, empresa especializada em ferramentas de busca comprada pela Google em 2005.

Por isso, é mais do que justo que Ivan tenha recebido, na última sexta-feira (01/12), o título de Professor Emérito da UFMG.

Quer conhecer o início do caminho traçado pelo Professor Ivan Moura Campos até mais essa honraria em sua destacada carreira e se inspirar? Então leia esse artigo, padawan!

Trajetória de sucesso

Professor Ivan iniciou sua carreira docente em 1968 no Departamento de Engenharia Mecânica da UFMG, em uma época em que a Computação Eletrônica chegava ao Brasil, e tornou-se um dos primeiros docentes da UFMG a dominar as técnicas fundamentais de programação de computadores. “Quando me formei em Engenharia, já estava apaixonado pela Computação e tinha como ideia trabalhar na área”, conta Ivan.

Sua atuação de destaque permitiu-lhe convencer a Reitoria a introduzir o ensino de programação de computadores nos currículos dos cursos da área de exatas da Universidade, e foi o primeiro doutor em Computação da UFMG, formado pela UCLA (Estados Unidos), e mentor da implementação de um programa de qualificação em nível de mestrado e doutorado dos pesquisadores do CECOM.

Participou das iniciativas para criar o Departamento de Ciência da Computação, tendo sido seu segundo chefe, e foi responsável pela criação da área de Engenharia de Software no CPGCC, do qual foi coordenador de Pós-Graduação. Exerceu cargos de Pró-Reitor da UFMG e Diretor Executivo da FUNDEP. Foi sócio-fundador das empresas Miner e Akwan, sucessos de empreendedorismo e inovação no mercado de alta tecnologia no Brasil.

Extramuros, foi Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de Minas Gerais, Diretor de Programas Especiais do CNPq, Secretário de Política de Informática e Automação do Ministério da Ciência e Tecnologia. Presidiu a Área de Computação na Capes e do Comitê Assessor do CNPq. No exterior, foi Diretor da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), que coordena o sistema de atribuição de nomes a domínios da Internet.

Mesmo após ter se aposentado da UFMG em 1994, continuou e continua promovendo o nome da universidade no Brasil e no exterior, nos ambientes acadêmicos, governamentais, não-governamentais e empresariais.

São várias centenas de palestras, artigos e entrevistas, sobre temas que variam de políticas públicas a política industrial, passando por inovação tecnológica e desenvolvimento econômico, até orientação de jovens empreendedores desenvolvedores de produtos que utilizam tecnologias da informação e comunicação.

Sua personalidade ética, colaboradora, inovadora e coerente com a abordagem de Pasteur, sempre buscando o uso das tecnologias para desenvolvimento da sociedade, a produção de produtos de interesse real e geradores de riqueza, renderam-lhe o reconhecimento e respeito das várias comunidades onde atuou, expressos em mais de uma dezena de homenagens, prêmios, medalhas e comendas.

Currículo do Professor Ivan Moura Campos

O professor Ivan Moura Campos possui graduação em Engenharia Mecânica pela Escola de Engenharia da UFMG, 1967; Mestrado em Ciências em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 1971; Ph.D. em Ciência da Computação pela Universidade da Califórnia (UCLA), Los Angeles, EUA, 1977.

Na UFMG, foi professor Auxiliar nos departamentos de Engenharia Mecânica, 1968-1968, e de Matemática, 1969-1971; Assistente nos departamentos de Matemática, 1971-1972, de Ciência da Computação e Estatística, 1973-1976, e de Ciência da Computação (DCC), 1976-1977; Adjunto no DCC, 1978-1983, e Titular no DCC, 1983-1994, quando fez jus à aposentadoria plena.

Além de professor e orientador de inúmeros alunos, alguns dos quais se tornaram professores do DCC, foi Chefe da Divisão de Sistemas do Centro de Computação (CECOM), 1971-1972 e em 1978; Coordenador de Pesquisa do DCC, 1978-1979; Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Ciência da Computação, 1979-1981; Coordenador do Curso de Extensão do ICEx, 1980-1981; Chefe do DCC, 1981-1983; Vice-Diretor do Laboratório de Computação Científica da UFMG (LCC), 1984-1985; Pró-Reitor de Pós-Graduação da UFMG, 1986-1987; Diretor Executivo da Fundação para Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP), 1987-1990; Assessor Especial da Reitoria da UFMG, 1998-1999; Consultor do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG (CRISP), 2003-2004.

Na PUC-MG, foi Professor Assistente do Departamento de Engenharia Mecânica, 1968-1968. Na PUC-RJ, foi Professor Auxiliar de Ensino e Pesquisa do Departamento de Informática, 1970-1970. Na UCLA, foi Postgraduate Research Engineer, 1973-1977. Na University of Waterloo, Canadá, foi Visiting Professor, Department of Computer Science, de janeiro a março de 1990.

No governo federal, foi Diretor de Programas Especiais do CNPq, 1991-1993; Secretário de Política de Informática e Automação do Ministério da Ciência e Tecnologia, 1993-1997. No governo do estado de Minas Gerais, foi Secretário de Ciência e Tecnologia, 1997-1998; foi consultor da Secretaria de Saúde (2004-2011) e da Secretaria de Educação (em períodos variados entre 2003 e 2012).

Entre 1978 e 2014, participou como membro, coordenador ou presidente, de mais de uma dezena de conselhos consultivos e deliberativos, vinculados a instituições governamentais, nacionais ou estaduais, dentre as quais ANATEL, Centro Tecnológico para Informática (CTI/SEI) do Ministério de Ciência e Tecnologia, CAPES, CNPq, FAPEMIG, Secretaria de Estado de Planejamento de Minas Gerais (SEPLAG-MG), Secretaria de Cultura de MG.

Por exemplo, foi Membro e Coordenador da Comissão de Coordenadores de Comitês Assessores do CNPq (CCCA), 1983-1986; Membro e Coordenador do Comitê Assessor de Ciência da Computação do CNPq, 1983-1986; Presidente do Comitê de Consultores Científicos na Área de Informática da CAPES, 1991-1992; Membro e Presidente da Câmara de Tecnologia da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), 1997-1998; Membro do Comitê sobre Infraestrutura Nacional de Informações, (C-INI da

ANATEL), 1999-2000; Consultor da International Communications Union (ITU), prestando consultoria junto ao Ministério das Comunicações do Brasil, 2001-2002; Membro da Comissão Rede por Uma Gestão Pública Inovadora da SEPLAG-MG, 2010-2014.

No mundo ONG internacional, desde 2012, é membro da comissão internacional que julga os candidatos ao Marconi Award e seleciona a lista tríplice a ser encaminhada ao board da Marconi Society para indicação final do premiado. Este prêmio é dado anualmente a indivíduos que tenham contribuído significativamente para o avanço das comunicações em benefício da humanidade via descobertas científicas e tecnológicas.

Ainda no mundo ONG internacional, foi o primeiro brasileiro Diretor da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), entidade que coordena o Domain Name System da Internet em escala mundial, 2000-2004.

No mundo ONG nacional, foi um dos criadores do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI-BR) e seu Coordenador por duas vezes: 1995-1997 e 1999-2003. Entre 2000 e 2014, atuou também como membro de diversos conselhos consultivos de instituições como Associação Comercial de Minas Gerais, Faculdades Pitágoras, Instituto Hartmann Regueira e World Trade Center de Belo Horizonte.

Atualmente é membro de Conselho Consultivo do Inhotim (desde 2007); membro do Conselho Jedi – Acelera-MGTI da Fumsoft, integrante do Programa Start-up Brasil que auxilia o desenvolvimento de empresas nascentes brasileiras (desde 2013). Também é membro do Conselho Consultivo Técnico da empresa Samba Tech: Online Video Solutions, (desde 2009).

Como empresário, foi sócio da Miner Technology Group, empresa vendida para o portal UOL em 1999, e co-founder da Akwan S.A., empresa especializada em ferramentas de busca e gestão da informação na Web, vendida para a Google Inc. em 2005. Como afirma Ivan, “a compra da Akwan foi um fator determinante para que a Google escolhesse Belo Horizonte para se instalar no Brasil”.

Atualmente é co-founder, Chairman of the Board e Senior Nerd da Hekima. A Hekima tem como sócios fundadores e desenvolvedores, sete ex-alunos do DCC que, em 2009, ao se graduarem no Bacharelado, procuraram o Professor Ivan Moura Campos para que ele os ajudasse a empreender. Após vários anos de pesquisa e desenvolvimento nas áreas de redes sociais, infraestrutura de cloud computing, data engineering, data analytics, artificial intelligence e big data, e de muito aprendizado em metodologias de desenvolvimento, marketing, gestão e vendas, a empresa já é referência em sua área de atuação.

Ivan Moura Campos, sócio-fundador, “Senior Nerd” e “Mestre Yoda” da Hekima

Leia também: Um conto de dados: a história da Hekima


Seu perfil ativo, colaborativo, criativo e inovador sempre contribuiu para mudanças significativas e duradouras nas áreas onde atuou. Três exemplos são:

  • Em 1996, estava em discussão o futuro da Internet acadêmica no mundo. Durante o Workshop on Future of Networking for Research and Education, em Cheyenne Mountain, Colorado Springs, EUA, o Professor Ivan Moura Campos propôs o modelo que se tornou a marca da Internet 2: a Campos’ Spiral. Este modelo é reconhecido mundialmente como tendo sido instrumental para o planejamento estratégico da Internet 2 e é ainda hoje citado por formadores de opinião em Tecnologias da Informação para explicar o processo permanentemente evolutivo da Internet.
  • Em 1995, o Professor Ivan, à época Secretário de Política de Informática e Automação do Ministério de Ciência e Tecnologia, foi um dos principais líderes e articuladores para a abertura da Internet no Brasil. Existia apenas a Internet acadêmica e o sistema de telecomunicações (Telebrás, composto pelas teles estaduais e a Embratel) pretendia ser o único provedor de acesso para atender à comunidade não acadêmica. A Embratel já havia aberto inscrições de empresas para futuro atendimento.

Após muita articulação política, foi assinada uma portaria interministerial entre o Ministério das Comunicações e o Ministério da Ciência e Tecnologia, segundo a qual a Internet passou a ser vista como “serviço de valor adicionado e não de telecomunicações”. Mais que isto, as empresas de telecomunicações estavam proibidas de prover este tipo de serviço para que não concorressem com as centenas de empresas provedoras de acesso que apareceriam e apareceram Brasil afora. Este movimento foi decisivo para a rápida evolução da Internet não acadêmica no Brasil.

O modelo adotado no Brasil foi apresentado em diversas conferências e workshops promovidos pelo World Bank, e se tornou um paradigma de estratégia de sucesso para implantação da Internet nos países em desenvolvimento.

O reconhecimento da relevância de sua atuação também veio expresso em homenagens como: “As 20 Personalidades Mais Influentes na Internet do Brasil em 1999”, Revista Internet World; “Os 10 mais dos 10 anos de CONIP”, na categoria Personalidades – retrospectiva de Informática Pública no período de 1995 a 2005; “Pais da Internet no Brasil”, Campus Party, 2008; “Diploma 20 anos .br”, CGI.BR, 2009; “20 Anos de Internet no Brasil”, Homenagem Especial pela Relevante Contribuição para a Implantação da Internet no Brasil, RNP, 2012.

  • Em 1972, os professores Wilson de Pádua Paula Filho e Ivan Moura Campos lideraram o grupo de professores que criou o Departamento de Ciências da Computação e Estatística da UFMG, uma das sementes para a criação do DCC.

“Pivotadas pessoais”

Você conhece o termo “pivotar”? Derivado do inglês to pivot (“mudar” ou “girar”), ele refere-se a uma mudança radical no rumo de um negócio.

Pois o Professor Ivan Moura Campos conta que três “pivotadas pessoais” foram fundamentais na definição de sua trajetória e verdadeiras guinadas em sua carreira.

“Assim que me formei, fui trabalhar em uma grande siderúrgica como engenheiro. Não estava nem há um mês lá, quando fui convidado por um professor para dar aulas na UFMG e na PUC. Topei na hora! Essa foi minha primeira grande mudança. A segunda delas ocorreu quando, no Doutorado, as circunstâncias me levaram a participar da gestão da universidade, além de me tornar formulador de políticas públicas e trabalhar no governo e em ONGs. Por último, a volta ao mercado, criando startups e tecnologias de ponta fora da academia. Foram todas experiências enriquecedoras e marcantes”, conclui Ivan.

 

 

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