Análise e Discussão Big Data

O que os dados nos falam sobre os refugiados sírios

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Dados. Essa é a matéria prima fundamental para análise e melhor entendimento de qualquer situação, política ou não. Este texto reúne alguns dados sobre um dos temas mais discutidos nos últimos meses: a crise dos refugiados sírios.

A República Árabe da Síria está localizada na Ásia Ocidental e faz fronteira com Iraque, Líbano, Turquia, Jordânia e Israel. O país, que desde 2011 está imerso numa guerra civil, já teve cidades devastadas e cerca de 191 mil mortos – incluindo 8,6 mil crianças -, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Ao mesmo tempo que cidadãos sírios se deslocam dentro do próprio país (cerca de 6,5 milhões) tentando escapar da guerra, outros lutam para  sair do país a qualquer custo: pelo mar Mediterrâneo, para países vizinhos ou para Europa.  

A ONU considera que a crise de refugiados e a guerra civil na Síria é a maior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial. Entenda o que isso significa em números e como uma boa visualização dos dados é parte fundamental de uma análise assertiva da atual situação política e uma possível recuperação do país.  

Os países vizinhos

Ainda segundo a ONU, o número de refugiados sírios em agosto deste ano já havia ultrapassado 5 milhões. É como se 1 a cada 8 sírios tivessem deixado o seu país por conta da guerra. E enquanto a Europa decide o que faz com 120 mil solicitações de refúgio, quem acolhe essa quantidade de cidadãos? Os países que fazem fronteira com a Síria.  

De acordo com os dados da Comissão Europeia e do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a Turquia foi quem mais recebeu refugiados desde 2011, totalizando 1,9 milhão de sírios no país – distribuídos em 25 acampamentos com 275 mil pessoas e o restante se estabeleceu em dez cidades do país. No Líbano foram 1,1 milhão e na Jordânia 629,6 mil, totalizando um número 30 vezes maior do que pretende a União Europeia.

Apesar de outros países também contarem com um número considerável de pessoas que precisam abandonar sua terra natal, a Síria é hoje quem mais pede refúgio no estrangeiro. E enquanto muitos sírios ainda traçam uma rota de fuga pelo Mediterrâneo, 2.643 pessoas morreram em 2015 nesse mesmo mar.

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As barreiras

Apesar da crise humanitária, os países da Europa dizem que não dão conta de receber os refugiados. Para isso, levantam muros e movimentam soldados que travam outra guerra dentro da guerra. A Hungria construiu um muro de 175km ao longo de toda a fronteira com a Sérvia para tentar diminuir o fluxo de pessoas buscando asilo no norte da Europa.

O Reino Unido, por exemplo, rejeitou o sistema de cotas – que estipula um número mínimo de refugiados que podem entrar no país – e desde 2011 já recebeu mais de 7.030  pedidos de refúgio de cidadãos sírios. O governo britânico, no entanto, vem sendo pressionado para aceitar mais imigrantes. Dentre os países no mundo que menos receberam refugiados, está a China que, entre 2012 e 2014, recebeu apenas 5 sírios.

Além-mar

Apesar dos 10 mil km que separam Brasil e Síria, o nosso país foi o que mais recebeu sírios na América Latina. Ao todo foram 2.121 refugiados reconhecidos – esse número é maior que dos EUA, que prometem receber até 10.000 refugiados no próximo ano, mas até hoje só receberam oficialmente 1.243. Os sírios no Brasil são agora a maior comunidade de refugiados no país, ultrapassando os colombianos (1.236) e angolanos (1.066). Em segundo lugar na América Latina, vem a Argentina, que recebeu 432 cidadãos. Os outros países da América do Sul não acolheram, cada, mais do que 50 pessoas refugiadas.

Os dados destacados dão um panorama da crise que se estabeleceu na Síria e nos países vizinhos e além de tornar mais clara a dimensão do problema humanitário que outras nações têm em mãos. Que os números os faça entender. E você? Tinha ideia que os números relativos aos refugiados eram tão expressivos? Como você acha que esses dados podem ajudar a desatar o nó dessa crise?

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