Análise e Discussão Big Data Cases

O que a OkCupid nos conta sobre amor e sexo por meio de visualização de dados e data storytelling

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OkCupid é um dos principais sites/aplicativos de relacionamento do mundo – e deve muito de seu sucesso aos dados. Independentemente do que o usuário ou usuária deseja – seja encontrar sua alma gêmea ou apenas buscar alguém para esquentar sua noite –, a “mágica do algoritmo” está lá para ajudá-lo(a), da forma mais “científica e matemática” possível, a obter sucesso na intrépida jornada de descobrir outra pessoa com interesses similares.

Obviamente, a OkCupid possui uma gigantesca base de dados de seus usuários, com milhões de informações sobre trabalho, família, política, educação, religião e, claro, interesses amorosos e sexuais. E a empresa tem utilizado esses dados de forma fascinante ao, baseando-se na análise deles, mapear tendências do comportamento humano ligadas a relacionamento e gerar e publicar, em seu blog, conteúdo de qualidade com vários elementos de data storytelling e visualização de dados.

Neste artigo, selecionei alguns dos posts e insights mais interessantes da OkCupid criados a partir da análise de dados. Dê uma olhada!

A questão étnico-racial continua a ser fator determinante

A questão étnico-racial sempre foi um tema bastante delicado nos Estados Unidos. A OkCupid trouxe dados para essa discussão ao fazer um levantamento da relação entre etnia e atração, abrangendo 25 milhões de contas de usuários dos anos de 2009 a 2014.

No site, os usuários podem dar notas entre si de 1 a 5. A partir da análise destas pontuações, chegou-se à conclusão de que os grupos étnico-raciais menos “desejados” são os homens asiáticos e as mulheres negras.

De 2009… (Crédito: theblog.okcupid.com)

…a 2014, pouca coisa mudou (Crédito: theblog.okcupid.com)

Falando com mais detalhes do primeiro caso: enquanto mulheres asiáticas tendem a dar pontuações mais altas para homens asiáticos, mulheres de outros grupos étnico-raciais (negras, brancas e latinas) dão a esses mesmos homens notas entre 1 e 2 pontos menores que para homens de outros grupos. Negros e latinos também recebem pontuações mais baixas de mulheres de grupos étnico-raciais diferentes dos seus, ao passo que as notas de homens brancos permanecem altas entre mulheres de todos os grupos.

No caso das mulheres negras, a história é mais ou menos a mesma. Homens brancos, asiáticos e latinos tendem a avaliá-las com uma nota 1 a 1,5 pior do que mulheres de outros grupos étnico-raciais, enquanto homens negros avaliam, de forma semelhante, tanto mulheres negras quanto mulheres pertencentes a outros grupos. Interessante notar também que mulheres asiáticas e latinas recebem avaliações altas (até mais altas do que mulheres brancas, em alguns casos) de homens de todos os grupos.

Há vários outros insights ricos no post. Vale a leitura.

Fonte: Race and Attraction, 2009–2014

Há mais “Christians Greys” do que imaginamos

Uma análise feita pela OkCupid que trouxe à luz do conhecimento alguns dos resultados mais surpreendentes diz respeito à popularidade de preferências (teoricamente) menos convencionais das pessoas na hora H.

A partir de uma pesquisa realizada com 400 mil usuários dos sexos masculino e feminino, descobriu-se que 75% dos homens e 62% das mulheres gostam de um sexo mais “pesado” (rough sex).

(Crédito: theblog.okcupid.com)

Outro levantamento, desta vez com uma amostragem de 600 mil usuários, indica que 64% dos homens e 51% das mulheres curtem o chamado bondage (“eu te amarro”, “você me amarra” e outras brincadeiras do gênero).

(Crédito: theblog.okcupid.com)

Há mais insights interessantes no post, como o fato de que ideologias políticas e religiosas influenciam diretamente na abertura ou não das pessoas a estas práticas sexuais. Usuários que se declararam não religiosos e mais à esquerda politicamente (liberais) se mostraram mais adeptos ao bondage do que usuários religiosos e mais à direita (conservadores).

Fonte: Kink Is More Popular Than You Think


Assista também: Data Storytelling – Contando histórias com dados


Um diploma não te deixa mais sexy

Há menos de um mês, houve nos EUA a “temporada de formaturas”. Essa sazonalidade incentivou a equipe da OkCupid a realizar uma pesquisa sobre a importância do diploma para os seus usuários, além de como o “canudo” influencia nas interações entre eles.

E não é que a empresa descobriu que o valor que os membros do site dão para o assunto é… bem pequeno? Apesar de menções ao tema ‘graduação’ em conversas dos usuários terem aumentado em quase 60% em maio, ao serem pedidos pela OkCupid para preencherem a afirmação “Uma educação de nível universitário é__” (a pergunta original era “A college-level education is__”), apenas 20% disseram ser “necessária”.

Já a grande maioria (59%) considera o diploma “bom, mas não obrigatório” (tradução livre para “nice, but not mandatory”). Ou seja, para a maior parte dos membros, a falta de uma formação universitária não é impeditivo nenhum para que a fagulha do amor seja acesa eles se conheçam.

(Crédito: theblog.okcupid.com)

A exceção do estudo são os chamados millennials (pessoas entre 18 e 34 anos). Para 22% das mulheres e 16% dos homens pertencentes a essa geração, um diploma de ensino superior é obrigatório.

Fonte: Congrats, Graduates: No One Gives a Sh*t


Leia também: Tipos de análise de Big Data: você conhece todos os 4?


Esses são apenas alguns dos posts publicados pela OkCupid a partir da análise dos dados de seus usuários. Para quem gosta de data storytelling e visualização de dados, os conteúdos da empresa são um prato cheio.

Caso você queira se aprofundar no universo das combinações entre Ciência de Dados e relacionamentos, recomendo a leitura do livro Dataclisma: Quem somos quando achamos que ninguém está vendo, de Christian Rudder, um dos fundadores da OkCupid.

Até o próximo artigo!

Sobre o autor:

juliano_ferreira_hekima_editJuliano é especialista em Marketing e trabalha na Hekima. É apaixonado por leitura e escrita e, nas horas vagas, não dispensa uma cerveja ou uma partida de Fifa (quiçá ambas as coisas juntas).

 

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