Análise e Discussão Big Data

Como Big Data e Literatura se complementam

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Seus olhos abrem e você se descobre sozinho com um oceano infinito à sua volta. Semelhante a esta imensidão capaz de deixar qualquer um perdido é o universo de dados que, felizmente, as ferramentas de Big Data Analytics nos permitem captar e analisar.

Cruzar informações que já foram ou estão sendo produzidas tornou-se um processo essencial para qualquer tipo de tomador de decisão que se encontre em busca de uma bússola.

Mas o que a literatura tem a ver com isso?

Não iremos falar aqui das aventuras de Robson Crusoé, mas sim de como essa imensidão de dados tem se portado cada vez mais como uma “muleta” – citando Charles Bukowksi em uma de suas célebres frases sobre o ato de escrever – ou até mesmo como um coração para produções literárias de teor artístico ou didático.

Emoções em Alto Mar

Entender o que as pessoas esperam de um personagem é tão desafiador quanto tentar descobrir a linha de emoções e sentimentos utilizada por um autor no decorrer de sua obra literária.

Surpreendentemente ou não, essa curiosidade da literatura encontrou apoio na tecnologia e já tem nome: macroanálise – método em que técnicas de Big Data Analytics são aplicadas à pesquisa e análise literárias. Quantidades gigantescas de dados mapeados por computadores podem ser processados para encontrar relações entre variáveis e tendências existentes nos termos utilizados em uma narrativa, por exemplo.

O americano Matthew Jockers, programador e PhD em literatura inglesa pela Universidade do Sul de Illinois, é o pesquisador pioneiro à frente de vários estudos de macroanálise e sua missão é descobrir padrões em narrativas literárias a partir da “análise de sentimento” das palavras.

Inspirado no discurso do célebre Kurt Vonnegut, que sugeriu a criação de gráficos para mostrar os altos e baixos dos protagonistas da ficção, Jockers tem descoberto como funciona a escrita criativa e também qual é o grau de influência que um escritor sofre em determinada fase da sociedade, ou seja, em que aspectos as grandes obras clássicas se assemelham de acordo com o contexto em que foram produzidas. Com tanto apoio da análise de dados e partindo de um data scientist, esse tipo de estudo é um grande exemplo de como Big Data tem revolucionado áreas como as ciências sociais, humanas e o próprio mercado educacional.

Mergulho na Sala de Aula

É óbvio que essa revolução na literatura, impulsionada pelo uso de Big Data Analytics, também afetaria o ambiente onde muitos tem contato com os livros pela primeira vez: a escola. Os cientistas de dados têm sido profissionais importantes também no mercado da educação, que passa por uma fase delicada de transições e questionamentos em todo o mundo.

Um dos destaques é o uso de Big Data para identificar quais são as leituras mais apropriadas aos alunos. Caso da Unbound Concept, uma startup que tem auxiliado professores a identificar leituras ideais para seus estudantes por meio de ferramentas de coleta e processamento de linguagem natural.

Esse método é uma maneira de avaliar melhor os textos, individualizando e atualizando o ensino com tecnologia para estudantes que, muitas vezes, poderiam dar aula sobre o uso de smartphones para seus professores. As instituições hoje precisam se adequar a um novo perfil de alunos, que já nascem imersos na tecnologia, com acesso à internet e uma infinidade de dispositivos eletrônicos.

Um oceano de narrativas: Data Storytelling e HQ’s

Há pouco tempo publicamos aqui algumas ideias sobre Data Storytelling e o uso de técnicas de narrativas para explorar dados e transmitir, de forma criativa e impactante, as mensagens escondidas nos grandes bancos de dados que existem por aí. Com apresentações de dados estruturadas em histórias, é possível expor ideias e dados complexos de forma brilhante, afinal toda história é uma ferramenta para transmitir experiências e pensamentos humanos.

E falando em histórias, outra área que tem se aventurado com grande êxito no oceano dos dados é o da indústria cultural de vários segmentos. No texto Big Data empresta poder aos heróis, contamos mais sobre a estruturação de dados que a Marvel tem feito para manter uma constante linearidade em suas histórias de acordo com as características de cada personagem, afinal, é difícil manter o mesmo roteirista e ilustrador por longos anos, eles não são imortais.

A gigante Marvel também consegue, através da análise de dados, compilar e mensurar as opiniões dos seus milhares de fãs. É um caminho encontrado para sempre atender aos desejos da clientela, direcionando as ações e trejeitos dos heróis de acordo com o que o público quer ver.

Nada do que foi será

Dos sentimentos do autor para os dados levantados por um computador, o título que nomeia este post é uma questão que não se encerra por aqui, pois estará sempre em contínua construção. Sua resolução já tem sido escrita ao longo do tempo, afinal agora toda informação contida em milhares de livros já pode ser analisada sem passar pelo complexo caminho da leitura convencional.

Pode parecer contraditório unir números às palavras, contudo as análises de grandes volumes de dados têm mostrado que dessa união podem surgir bons produtos culturais e didáticos, como citamos anteriormente. Big Data tem agregado enorme pertinência às produções literárias, é como se o processo criativo diminuísse seu tempo com a transpiração e gastasse mais tempo com a inspiração.

E você? Qual tipo de livro leu mais em 2015? Qual o tempo médio e o tamanho das publicações que mais conquistam sua atenção? Já pensou em fazer uma análise dos seus dados de comportamento relacionados aos seus hábitos de leitura?

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